Uma das coisas mais chatas do mundo atual é a necessidade intensa de pessoas se sentirem aceitas. E uma das formas mais fáceis de se sentir assim é criar pequenos grupos sociais que tem algo em comum.

Só que aparecem os exageros, como transformar uma negação pura e simples em um valor que pode unir um grupo. É, como este é um site de um ateu que teve seu humor morto a muitos anos, não preciso ser mais claro do que estou sendo, né? Ateísmo é, pura e simplesmente não acreditar em divindades. E, diga-se de passagem, pelo menos no meu caso, uma negativa baseada na falta de evidências.

Quando você nega baseado na evidência, você também aceita que no aparecimento de uma evidência, você irá analisá-la e, caso seja verdade, aceitá-la

Sim, não existe uma verdade absoluta no ateísmo. Aliás, não existe verdade absoluta para aquele que adotou o ceticismo como seu caminho. Mas, infelizmente, hoje o que mais vemos são ateus crentes que misturam a negação de divindades a ideologias das mais diversas ( em geral de esquerda devido a, desde sua gênese os mesmos considerarem a religião um ópio).

O grande problema, para quem se sente livre deste ópio é que deuses acabam se mostrando de diversas formas, e algumas delas são as ideologias. Se o ateísmo não carrega valores em si mesmo, ideologias sim. E é aí que entra a ideia de haver pequenos dogmas, onde não existe um padrão.

Porque você pode não acreditar em divindades sendo de qualquer expectro político. Ah, aliás inclusive não se preocupando com minorias, já, que, o ateismo simplesmente é parte da menor minoria de todas, o indivíduo.

E o indivíduo tem o direito ( talvez até dever ) de de escolher o que quer acreditar. E sim, pode ser um Cherry picking de diversas ideologias, já, que, isto, é escolha individual.

Posso gostar do livre mercado, e ser ateu. Posso ser de algum espectro da esquerda … e ser ateu. Resumo, posso ser o que quiser, já que o ateísmo ou ser ateu é não acreditar em divindades.

Posso até, acreditar que ateus são uma minoria e criar um grupo que tem isto em comum. Mas, nunca, isto será um dogma ou regra, já que não temos um livro sagrado ou até, um livro de regras.

Assim. Parem de encher o saco criando regras ou transformando o ateísmo na sua religião, ou até, traduzindo ele para sua necessidade de ter um grupo. Não somos um grupo. Só temos em comum a descrença em divindades.

Fora isto, somos todos diferentes. E isto somente não une ninguém.