Quando não há realmente liberdade

Franz Kafka tem um pensamento interessante sobre como devemos ler livros, ou melhor, como devemos encarar livros bons e livros ruins.

É um pensamento interessante sob a ótica de que, um livro se torna realmente bom, quando ele lhe tira da zona de conforto, tornando-se catalizador, ou não, de mudanças grandes no seu modo de ver o mundo.

“É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos

assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro

deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós. Franz Kafka “

É crítico observar que, toda obra que causa este tipo de furor no individuo em geral é descartada pela pessoa. Tive a chance de ler este pensamento em um dos bons livros que li em minha vida.

Andre Cancian ( webmaster do Ateus.net ) , cita este pensamento em um dos primeiros capítulos de usa obra, “Ateismo e Liberdade“, uma ode ao pensamento liberto, tão raro em nossa sociedade atual.

Raro porque, a integridade intelectual, não é uma qualidade muito procurada hoje em dia. Primeiramente, porque a integridade intelectual requer coragem. Ela não permite que a pessoa se engane, se prenda a facilidades faceiras que a cada dia aparecem por aí, e crenças externas que podem causar “um torpor” ideológico momentâneo.

É, neste ponto, que se encontra a grande falha da crença em um ser superior, em nossa sociedade traduzida diretamente pela crença em deus ( não escrevo em maiúsculo, porque deus não é nome próprio, já que para mim ele não existe ), pois a zona de conforto que isto cria, causa um estacionar ideológico eterno.

A fé, como dizem os cristãos, nada mais é que isto. Se confrontarmos o pensamento de Franz Kafka, com a definição de fé, veremos o quanto é frágil esta idéia.

De acordo com a maioria dos cristãos Fé não é somente ter esperança em algo, mas é simplesmente acreditar e saber ( mesmo que sem provas cabais ) que algo é, ou seja, ter certeza absoluta sobre algo. Este algo, é a existência e a crença na palavra de um ser superior, traduzida em algo chamado Bíblia.

A disparidade do conceito é tamanha que, em argumentos quando se discute com um cristão, ele literalmente irá lhe dizer que você precisa acreditar para enxergar a verdade contida no livro já citado.